
Durante um casamento, os noivos prometem amar e respeitar até que a morte os separe. Namorados juram fidelidade e amor eterno. Algumas promessas são feitas espontaneamente, sem esperar nada em troca, enquanto outras têm um propósito claro: receber algo de volta.
Esse é o caso de muitos cristãos, católicos ou não, que fazem promessas a Deus ou a santos na condição de que um pedido seja atendido.
Mas isso faz sentido?
Se podemos simplesmente rezar com fé e confiar, por que há a necessidade de oferecer algo em troca? Não seria isso uma forma de barganha com Deus?
Muitas pessoas dizem que fazem promessas por gratidão, mas a verdade é que, em muitos casos, a promessa só é cumprida se a graça for alcançada. Então, é uma demonstração genuína de fé ou uma tentativa de negociação?
A caridade, por exemplo, deveria ser feita por amor ao próximo, não como uma moeda de troca para obter uma bênção. A Bíblia ensina: “Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.” (Mateus 6,3)
Ou seja, o bem deve ser feito de coração, sem esperar reconhecimento ou recompensa. Mas quando uma pessoa promete algo a Deus exigindo algo em troca, não está tratando a fé como um contrato?
Se Deus é onisciente e conhece nossas necessidades antes mesmo de pedirmos, como diz a Bíblia:
“Deus sabe de tudo e tudo vê.” (1 João 3,20)
“Não é necessário pedir nada a Deus, pois Ele sabe exatamente do que precisamos.” (Mateus 6,8)
Então, qual o propósito real da promessa?
Muitos de nós buscamos a Deus apenas nos momentos de dor, como se Ele fosse um amuleto da sorte. Mas a fé verdadeira não pode ser baseada apenas no desespero, nem condicionada a uma troca. Se acreditamos que Deus está presente em todos os momentos, por que não fazemos o bem sem precisar de uma promessa?
Talvez seja hora de refletirmos sobre como nos relacionamos com Deus. Será que nossa fé precisa de barganhas? Ou basta confiar, agir com bondade e saber que, se for da vontade d’Ele, seremos atendidos no momento certo?
A verdadeira fé não negocia. Apenas confia.