em

Fariseus querem proibir casamento homoafetivo no Brasil

Querem impor doutrina em forma de lei num Estado laico

Protesto da suplente de deputada federal por Brasília, Ruth Venceremos na comissão que aprovou o fim do casamento Homoafetivo (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)

A bancada evangélica na Câmara dos Deputados segue empenhada em pautas que impõem sua visão religiosa sobre a sociedade, como proibir o casamento homoafetivo e criminalizar o aborto. No entanto, esses mesmos parlamentares ignoram casos de estupro, assédio sexual e corrupção dentro das próprias igrejas evangélicas, além de outras questões sociais urgentes que deveriam estar no centro do debate.

Essa tentativa de interferência não é sobre moralidade ou justiça, mas sobre poder e controle. O Brasil é um Estado laico, onde crença é uma opção pessoal, e ninguém deve ser obrigado a seguir uma doutrina religiosa, muito menos ver essa doutrina transformada em lei para interferir nas escolhas individuais da população.

Direitos não estão em debate

A tentativa de banir o casamento homoafetivo não é uma questão de certo ou errado segundo uma religião específica—é uma questão de direitos. Não há o que discutir, apenas respeitar.

O próprio Cristo nunca impôs sua doutrina pela força, e, seguindo esse princípio, ninguém deveria tentar transformar crenças religiosas em leis que interferem na vida alheia.

O casamento homoafetivo é um direito garantido pelo STF desde 2011 e consolidado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2013. A Constituição Federal não condiciona direitos civis a crenças religiosas. Se a Igreja quer manter suas regras internas sobre casamento dentro de sua doutrina, tem esse direito. Mas o Estado não pode limitar a liberdade e os direitos civis da população com base em argumentos religiosos.

Hipocrisia e fundamentalismo disfarçados de moralidade

Os mesmos que querem criminalizar o aborto e impedir casamentos homoafetivos não estão preocupados com os escândalos de abuso sexual dentro das igrejas, nem com a corrupção em suas lideranças. Enquanto apontam o dedo para a vida dos outros, evitam olhar para dentro de suas próprias instituições.

A intolerância religiosa e o fundamentalismo não podem ser usados como justificativa para interferir em decisões que são individuais. O aborto e o casamento homoafetivo não são temas religiosos, são direitos humanos.

Não será proibindo casamentos que pessoas LGBTQIAP+ deixarão de existir, assim como não será criminalizando o aborto que as mulheres deixarão de abortar. Restringir direitos não impede que as pessoas vivam suas vidas, apenas as coloca em situações de maior vulnerabilidade.

O projeto não deve prosperar

A bancada fundamentalista pode tentar, mas não há base jurídica para retroceder no direito ao casamento homoafetivo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição garantem a liberdade e a igualdade de todos.

A tentativa de transformar preceitos religiosos em leis civis é um ataque direto ao Estado laico e à democracia.

Se há algo que precisa ser combatido, é o uso da religião como ferramenta de opressão política.

Esse projeto não deve prosperar.

Adamy Gianinni

Bacharel em Jornalismo 🎓❤️.
• Especialista em Gestão de Mídias Digitais
• Especialista em Liderança e Gestão Pública
• Cursando Sup. Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
• Escritor iniciante e profissional de TI. O conhecimento é tudo! 🦉

Indígenas acompanham sessão do STF sobre marco temporal (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

STF rejeita marco temporal por 9 a 2, em vitória dos povos indígenas

(Foto: Montagem/Adamy Gianinni)

BIMI e o seu custo absurdo