Neste domingo (19), dezenas de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se aglomeraram em frente ao Quartel-General do Exército para pedir uma intervenção militar e invocar o AI-5 — Ato Institucional que, durante a ditadura militar, cassou parlamentares, suprimiu liberdades e foi usado como ferramenta de repressão contra opositores do regime.
O ato criminoso teve apoio explícito de Bolsonaro, que discursou:
“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder.”
Antes do discurso, militantes gritavam “Mito”, “AI-5” e “Fora, Maia”. No entanto, Bolsonaro tentou amenizar o tom ao afirmar que é preciso “manter a democracia e a liberdade”, tentando esconder seu apoio recorrente a um golpe de Estado, algo que sempre demonstrou desde sua campanha eleitoral.

Além de incentivar um ato inconstitucional, Bolsonaro violou mais uma vez as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao provocar aglomeração em meio à pandemia da Covid-19. Sua participação nesse evento representa não apenas um ataque à democracia e à harmonia entre os poderes, mas também um desprezo absoluto pela gravidade da crise sanitária que assola o mundo.
O mais irônico? Os manifestantes foram às ruas pedir o fim da própria liberdade. Talvez por ignorância, talvez por maldade. Mas a verdade é que, se a Ditadura Militar voltasse, eles jamais poderiam repetir esse ato.
É preciso muita inteligência para usar a liberdade de manifestação para pedir que ela seja extinta.