
O juiz Sérgio Moro sempre foi exaltado por muitos, especialmente por aqueles que o viam como um herói na luta contra a corrupção. Sua principal credencial? Condenar Luiz Inácio Lula da Silva sem provas concretas e atuar, direta ou indiretamente, contra a esquerda. Durante anos, houve quem defendesse sua suposta imparcialidade, honestidade e postura apartidária. Eu sempre duvidei disso. Agora, a máscara caiu.
Depois de aceitar o cargo de ministro da Justiça no governo Bolsonaro, Moro provou que sua atuação na Operação Lava Jato tinha um viés político. Sua nomeação foi a peça final de um jogo bem articulado: garantir a prisão de Lula e pavimentar o caminho para a extrema-direita chegar ao poder. Como recompensa, uma cadeira no governo.
No papel de ministro, Moro apresentou um “pacote anticorrupção”, recheado de propostas controversas e questionáveis. Mas sua incoerência ficou ainda mais evidente quando, em 19 de fevereiro, ao comentar o projeto no Congresso Nacional, declarou aos jornalistas que “caixa 2 não tem a mesma gravidade da corrupção”. A fala contradiz o que ele mesmo afirmou em abril de 2017, na Universidade de Harvard, quando disse que o caixa 2 era ainda mais grave do que a corrupção para o enriquecimento ilícito.
Ué? Já mudou de opinião?
Com essa declaração, Moro enterrou de vez sua credibilidade. Um juiz que se dizia incorruptível agora relativiza crimes eleitorais, tudo para se alinhar aos interesses do governo que o acolheu. Sempre treinado para enfraquecer o PT, Moro se recusou a investigar outros partidos e figuras políticas que poderiam prejudicar sua ascensão. Garantiu a prisão de Lula e, com isso, consolidou a vitória da extrema-direita, abrindo caminho para um governo autoritário e repleto de escândalos.
A Lava Jato, vendida como uma operação imparcial e republicana, revelou-se um instrumento político seletivo. Moro teve diversas oportunidades de mostrar independência, como no caso das suspeitas que envolviam Flávio Bolsonaro (PSL) e o escândalo das rachadinhas. No entanto, preferiu ignorar.
A pergunta que fica é: até quando essa narrativa de imparcialidade será sustentada?
Se Moro realmente fosse apartidário, sua trajetória teria sido diferente. Mas a história já mostrou quem ele realmente é.