Desde que começou essa alusão desenfreada à extrema direita, percebi o crescimento do discurso de ódio na internet, especialmente nas redes sociais. Gritos desesperados de uma parcela da população, refém da ignorância e da falta de conhecimento histórico, clamam por “punição com morte” para criminosos, defendendo a barbárie como solução para a criminalidade. Mas essa ideia não resiste a uma simples reflexão.
Afinal, quem mata também não é criminoso?
Criminalidade não se combate com mais violência. O caminho para reduzir a violência passa pela educação, pela criação de oportunidades para jovens e adolescentes, especialmente nas periferias e favelas. A desigualdade social é o verdadeiro combustível da criminalidade. Apostar na morte como solução é ignorar as raízes do problema e perpetuar um ciclo sem fim de brutalidade.
Muitos que defendem a execução sumária de criminosos falam de pessoas distantes de suas realidades. Mas e se um criminoso fosse um irmão, um pai ou uma mãe? A lógica mudaria? Quantos desejariam a morte da própria mãe, mesmo que ela tivesse cometido um crime terrível? Pode até haver quem deseje, mas não é algo natural.
O criminoso também é um ser humano – um infrator, sim, que deve ser punido dentro dos limites da lei. Mas eliminar criminosos não reduz a criminalidade. Para cada um que morre, outros dez entram no crime, impulsionados pela miséria e pela falta de oportunidades. A raiz do problema está na desigualdade social, agravada por um sistema que concentra riquezas em poucas mãos, enquanto milhões vivem na pobreza, sem acesso a direitos básicos.
Se pararmos para pensar, todos nós já cometemos crimes. Alguns leves, outros mais graves. Quantos não agem de má-fé no trabalho para subir de cargo? Quantos não recebem salários como laranjas? Quantos furam filas, jogam lixo na rua ou fazem ultrapassagens perigosas? Tudo isso, por menor que pareça, é crime. Se aplicássemos a lógica dos radicais que defendem a pena de morte indiscriminadamente, todos nós mereceríamos morrer.
Quem é santo que atire a primeira pedra.
É hora de revermos nossos conceitos. Muitas vezes, criticamos algo e, mais tarde, nos pegamos fazendo exatamente aquilo que condenamos. E o que isso nos torna? Hipócritas.
A verdadeira mudança não vem da violência, mas da reflexão e da transformação social.