O episódio ocorrido em 5 de novembro de 2015 se repetiu. Três anos depois, outra barragem da mesma empresa se rompe em Minas Gerais, desta vez em Brumadinho. Minha solidariedade às famílias das vítimas, ao meio ambiente e aos animais, que sofreram as consequências desse crime ambiental.
Sim, isso é crime! Por mais que a Vale pague indenizações milionárias e prometa ações de recuperação ambiental, nada trará de volta as vidas perdidas, humanas e animais. O impacto ambiental e social é irreversível. Os responsáveis pela barragem devem ser responsabilizados criminalmente, pois o que ocorreu não foi uma fatalidade, mas o resultado de negligência na fiscalização e na segurança da estrutura.
O desastre de Mariana já deveria ter servido de alerta. No entanto, a justiça, com apoio do governo Temer, postergou decisões e reduziu a pressão sobre os responsáveis. Nenhuma mudança significativa foi feita na legislação para evitar novas tragédias, permitindo que o episódio se repetisse da mesma forma e, possivelmente, tenha o mesmo desfecho de impunidade.
Agora, com Bolsonaro no governo, será que finalmente haverá uma revisão séria das leis ambientais? Em um primeiro momento, ele afirmou que o desastre não era responsabilidade do governo, livrando-se de qualquer obrigação direta. Sim, a culpa é da mineradora, mas cabe ao Estado fiscalizar, endurecer punições e garantir que a legislação ambiental seja respeitada. O que se viu, no entanto, foram discursos e medidas que favoreceram o afrouxamento da fiscalização e a flexibilização de leis ambientais.
O que acontecerá agora? Haverá punições severas ou tudo terminará, mais uma vez, sem mudanças estruturais? Infelizmente, o histórico indica que a impunidade pode prevalecer. Enquanto isso, vidas são perdidas, ecossistemas destruídos e a mineração predatória segue operando sem as devidas precauções.
Resta saber se desta vez o poder público agirá com a firmeza necessária ou se testemunharemos mais uma tragédia ambiental acabar sem justiça.
