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Os desafios de um jornalista em cidade pequena

Ninguém pode reclamar!

Ilustração. Foto: Pixabay

Não é fácil ser jornalista nos dias de hoje em que parte da massa “a população”, classificam de forma generalizada a mídia como uma má influência e algumas autoridades a vêem como “inimiga do povo”. Dessa forma, a imprensa é atacada por toda a sociedade, seja da direita ou da esquerda; sempre que noticia algo que contraria o interesse dos envolvidos.

Talvez os envolvidos possam estar certos ou não. Também há monopólio na imprensa e interesses pessoais, mas não significa que todos os veículos de comunicação são iguais. E, afinal de contas, pra que serve a imprensa, se não for para “publicar aquilo que alguém não quer que se publique”. (George Orwell).

O fato é que a mídia vem perdendo a credibilidade e tornando mais difícil o trabalho dos jornalistas, como vemos nas redes sociais tantas difamações e calúnias contra profissionais da imprensa, até mesmo ameaça de morte. Sem falar na repreensão e abuso de poder por parte de autoridades policiais, políticas e judiciárias. Tudo isso é uma violação da liberdade de expressão e do livre exercício da imprensa. Mas, quando o jornalista é repreendido pela população como fica?

Tenho tido muitas dificuldades para exercer meu trabalho na cidade onde resido. É pequena, pacata, não tem ofertas de emprego, todo mundo depende da prefeitura e defende o seu emprego a qualquer custo. Ou seja, não “aceitam que falam mal do prefeito”. Falar mal do prefeito como? Muitas pessoas sem conhecimento por falta de estudo ou por idiotice mesmo, acha que uma reportagem envolvendo o prefeito ou algum funcionário é “perseguição política”.

Isso porque nesta cidade ainda há uma mentalidade do tempo das cavernas. As pessoas entendem que o prefeito deve governar apenas para quem votou nele e chamam a oposição de “caetaneiros” que é um jargão popular no interior da Bahia para ofender alguém que perde uma eleição. Infelizmente isso ainda existe no Brasil e no meu dia a dia. Povo atrasado não é? O pior de tudo é que alguns políticos agem com base nesses mesmos argumentos. A marcação é inevitável tanto na situação quanto na oposição e sempre há retaliações ou represálias. É triste!

Ninguém pode reclamar de lixo na rua que é exagero. Ninguém pode falar que um político cometeu abuso de poder que é perseguição política. Se partir de um funcionário público, coitado. É exonerado na hora ou sofre punições severas. Infelizmente isso é um problema nacional, mas quando a punição vem da população “os cúmplices” desses gestores como fica? E essas pessoas são as mesmas que criticam a corrupção, cobram transparência e se julgam serem honestas, muitas sendo até laranjas.

No palco da vida sempre teremos aplausos e vaias, mas às vezes as coisas passam dos limites e uma simples crítica acaba se tornando uma “questão pessoal”, resultando em desentendimento entre amigos e familiares. A maioria desses desentendimentos é por questões políticas, mas basta chegar num supermercado e exigir seus direitos que os funcionários e o dono fecham a cara para você.

“Ninguém pode reclamar”. Que democracia é essa? Será que somos otários ou temos sangue de barata para aguentar tantas injustiças calados? Eu não!

As pessoas precisam abrir a mente para a realidade e buscar o conhecimento. Um jornalista nunca está certo e nem errado porque ele não fazer parte da reportagem. O jornalista é um narrador de histórias do nosso cotidiano. Apura fatos, ouve os dois lados e redige o texto que será publicado em algum veículo.

Se há perseguição política ou parcialidade isso é outro caso. Eu conheço “profissionais da mídia” subordinados e popularmente conhecidos por omitirem fatos e distorcer notícias com base em seus interesses pessoais. Mas quem sou eu para julgá-los, se isso faz parte dos seus princípios? Porém eu não recebo suborno para criticar e nem para elogiar ninguém.

Quando eu falo bem é por livre e espontânea vontade e critico quando é necessário. Não preciso disso, tenho minhas próprias ideias e sei separar os fatos da realidade, tenho inteligência para saber o que é certo e o que é errado e estudo todos os dias.

Assim, levo a vida honrando minha profissão, o Código de Ética dos Jornalistas, meus princípios morais e éticos e enfrentando os desafios diários de lidar com pessoas “atrasadas” que só querem ver os outros na miséria.

Ouço críticas e procuro corrigir meus erros. Erro sim, sou ser humano! Admito quando estou errado e sei abaixar a cabeça também, porém meu trabalho não para! E se alguém não quiser sair mal falado na mídia, é só fazer as coisas certas!

“Meu autoestima é imenso e não se abala com críticas. Além disso, não tenho medo de nada! Eu aprendi lidar com todas as situações e quando percebo que alguém quer se engrandecer em cima de mim, eu piso em cima dela!”

Esta é apenas uma reflexão detalhada de experiências pessoais.

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