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A queda dos fiéis: Quando a lealdade a Bolsonaro se transforma em sobrevivência

Aliados que antes defendiam Bolsonaro agora buscam se desvincular para salvar a própria pele. A fidelidade política tem limite, e a crise expõe traições estratégicas.

(Créditos: Adamy Gianinni)

No jogo político, lealdades muitas vezes duram apenas enquanto há conveniência. A recente divisão entre antigos aliados do bolsonarismo deixa isso claro. A frase “nas torturas, toda carne se trai” nunca fez tanto sentido quanto agora, quando vemos ex-fiéis seguidores buscando se desvencilhar do líder que um dia defenderam com unhas e dentes.

O julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado marca uma virada significativa. Paralelamente, Carla Zambelli enfrenta sua própria batalha judicial por porte ilegal de arma e pode ter sua cassação confirmada. O adiamento do julgamento por pedido de vista não esconde o fato de que, agora, cada um está tentando salvar a própria pele. Curiosamente, no mesmo dia em que sua ex-aliada estava no banco dos réus, Bolsonaro a responsabilizou pela sua derrota em 2022. Esse rompimento não é um caso isolado, mas parte de um padrão.

Outro exemplo é o do general Augusto Heleno. Enquanto sua defesa argumenta no STF que Bolsonaro é o único responsável pelos atos antidemocráticos, fica evidente a tentativa de livrar o general de qualquer consequência jurídica, mesmo que isso signifique deixar o ex-presidente ainda mais vulnerável.

O que essas movimentações revelam? Que, sob pressão, os antigos aliados não hesitam em se afastar, desmentir ou até culpar Bolsonaro para garantir a própria sobrevivência política e jurídica. Aquele que um dia foi considerado intocável por sua base, agora vê seu círculo de confiança se desfazer. O que era uma tropa coesa, disposta a defender seu líder a qualquer custo, tornou-se um grupo de réus buscando minimizar seus próprios danos.

A cena política está repleta de traições estratégicas, e a fidelidade outrora inquestionável a Bolsonaro mostra-se, na verdade, um pacto condicionado a circunstâncias favoráveis. No momento da adversidade, cada um cuida do seu destino. A frase imortalizada na música “Vila do Sossego”, composta por Zé Ramalho e lançada em 1979, não poderia ser mais apropriada para esse momento da política brasileira: quando pressionados, até os mais leais traem.

Adamy Gianinni

Bacharel em Jornalismo 🎓❤️.
• Especialista em Gestão de Mídias Digitais
• Especialista em Liderança e Gestão Pública
• Cursando Sup. Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
• Escritor iniciante e profissional de TI. O conhecimento é tudo! 🦉

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(Créditos: Freepik)

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