em

Ética jornalística na prática

Um jornalista sem credibilidade, não tem nenhum valor

(Créditos: rdaconnect/Pixabay)

Ética é um conjunto de regras para disciplinar profissionais, indivíduo ou um grupo social. A palavra vem do grego ethos e significa caráter. Ou seja, atitudes, escolhas, personalidade e etc. Para o exercício do jornalismo, o ideal seria seguir o Código de Ética dos Jornalistas da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mas não é o que acontece. Talvez pelo fato da profissão de jornalista não ser regulamentada no Brasil e não haver nenhuma punição para más condutas, como a cassação do registro profissional e o impedimento do exercício da profissão, assim como ocorre com advogados, médicos, entre outros.

Nesse contexto, podemos observar diariamente violações constantes da ética jornalística, principalmente na televisão e na internet. Uma delas é a manipulação da informação que se tornou marca registrada de alguns veículos de comunicação com programas sensacionalistas, apurações imprecisas e censuras no seu próprio jornal. Tudo isso reforça a necessidade de profissionais qualificados e comprometidos em honrar a ética jornalística. Vamos pô-la em prática?

Art. 4º – O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos,
razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta
divulgação.

Código de Ética dos Jornalistas

O que mais se observa na mídia comercial é informações tendenciosas e claras em relação ao objetivo aonde quer chegar: interesses pessoais do jornalista, do veículo ou de seu chefe. Cada jornalista tem sua posição política, sua ideologia formada que vai interferir no seu trabalho e não tem como evitar isso. O que o jornalista não pode é deixar de esclarecer os fatos, construir sua narrativa ouvindo todos os lados, para que fique claro para quem vai consumir a notícia e tirar suas próprias conclusões das informações.

Quando o jornalista quer defender um lado ele diz: “fulano afirmou” e quando quer prejudicar, afirma: “fulano alegou”. Isso é muito feio. Observe como isso ocorre com frequência na televisão. Outra coisa feia é publicar uma reportagem envolvendo várias fontes sem ouvi-las ou ouvindo apenas um lado. Se tem uma polêmica envolvendo alguém ou algo, no caso de uma instituição, empresa, etc., o jornalista deve ouvir o que esse alguém ou empresa tem a dizer em sua defesa, para então levar a informação ao ar. Sempre ouvindo todos os lados e não pode se esquecer que “a presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística” (Art. 9º do Código de Ética dos Jornalistas).

Art. 6º – É dever do jornalista:
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;

Código de Ética dos Jornalistas

Nenhum jornalista e nenhum jornal consegue de fato acompanhar tudo que é de interesse público, no caso dos veículos ainda depende da linha editorial, dos critérios de noticiabilidade ou de recursos financeiros para custear a cobertura. No entanto, há muitos casos de omissão de informações que não é bom para a credibilidade do veículo ou do jornalista. A linha editorial das mídias comerciais é alinhada com os interesses econômicos, pautando na maioria das vezes o que vai trazer retorno financeiro ao veículo, censurando e submetendo jornalistas a esses caprichos. Não aceite isso. É dever do jornalista defender o livre exercício da profissão, valorizar, honrar e dignificar a profissão e combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação.

(Créditos: rdaconnect/Pixabay)
(Créditos: rdaconnect/Pixabay)

Art. 7º – O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga
horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou
passivamente para a precarização das condições de trabalho;

Código de Ética dos Jornalistas

Em alguns casos específicos, jornalistas aceitam qualquer remuneração por necessidade ou para não ficar desempregado. Não faça isso! A valorização da profissão começa por nós. Afinal de contas, estudamos 4 anos e pagamos entre 50 a 150 mil reais (dependendo da faculdade) para obter o diploma de jornalista e conseguir um emprego digno. Temos que honrar a nossa profissão, quem somos e as nossas qualidades profissionais. Procure o sindicato da sua cidade ou estado e se informe sobre o piso salarial. Se for possível também seja um associado. Sindicato dos Jornalistas é muito importante para a garantia de direitos.

Art. 7º – O jornalista não pode:
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta
divulgação da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de ideias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua
identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho
ou residência, ou quaisquer outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

Código de Ética dos Jornalistas

O jornalista não pode se submeter à censura e nem aceitar a manipulação da informação. Não importa quem ou que esteja envolvido, a apuração deve ser precisa para que seja relatado, de fato, o que aconteceu com todas as versões que existir de todos os lados. O jornalista não deve julgar, porque quem julga é o Estado e nem deve achar que é dono da razão porque sua função é esclarecer fatos, com o máximo de imparcialidade possível e fiel ao que ocorreu para que as pessoas possam tirar suas próprias conclusões. Cuidado com os incisos IV e V porque a violação destes é muito grave e pode resultar em tragédias. Lembre-se que carregamos uma imensa responsabilidade.

Art. 7º – O jornalista não pode:
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre
organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor,
empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não
tenha participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.

Código de Ética dos Jornalistas

Credibilidade não é algo que se conquista da noite para o dia, é preciso muitos anos de experiências e ser bom no que faz para conquistar o público. Porém a perda da credibilidade pode ocorrer na velocidade da luz. Um erro grave de apuração, se associar à corrupção, usar sua imagem ou um veículo para obter vantagens pessoais entre outros, tudo isso pode acabar com a credibilidade de um jornalista. E um jornalista sem credibilidade, não tem nenhum valor. Quem confia nele? O jornalista não pode usar sua influência para obter vantagens e nem usar um veículo para defender interesses seja lá de quem for. As pessoas percebem isso e podem deixar de confiar na sua narrativa. É sua credibilidade que está em jogo. Os consumidores de notícias estão cada vez mais atentos e costumam questionar certas posições diante de determinadas situações.

Nós jornalistas devemos cuidar da nossa imagem. Somos pessoas públicas e observados o tempo todo pela sociedade. Temos a liberdade para defender uma posição política, ideologia ou qualquer tema, mas devemos deixar isso claro para todos e tomar cuidado para que nossa opinião não interfira na apuração de fatos e na narrativa. Sabemos que não existe jornalista imparcial, por isso é preciso ter cuidado para não manipular as informações com a nossa ideologia. E não assuma a responsabilidade pelo que você não fez, não se aproprie do trabalho alheio. Receba créditos pelo que você fez!

Comentei apenas os artigos 4º, 6º e 7º porque achei interessante para o texto. O Código de Ética dos Jornalistas está disponível neste link: https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2014/06/04-codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros.pdf.

Por fim, repito mais uma vez: valorize a nossa profissão! Ser jornalista é a melhor profissão do mundo. Nós temos o poder de fazer a diferença, educando, conscientizando e combatendo a corrupção e práticas ilícitas. Construa seu currículo com trabalho e suor, é difícil, mas não impossível. Não deixe que a ganância pelo poder manche sua carreira profissional. Não há nada melhor do que bater no peito e dizer: Eu sou honesto e não existir nenhuma prova contrária.

Jornalismo ❤️

Adamy Gianinni

Jornalista, empresário, blogueiro, fotógrafo, universitário, profissional de TI e Flamenguista ❤. Apaixonado por mídia, fotografia e tecnologia, CEO da Seutec Inc. e editor-chefe da Folha Geral.
contato@adamy.jor.br / adamy@folhageral.com.br

Deixe sua opinião

(Imagem de Ada K por Pixabay)

Uma noite de angústias