Falando abertamente sobre diversos assuntos

em

Do Golpe ao Caos

A história do Brasil é marcada por mudanças políticas drásticas desde a invasão portuguesa em 1500, passando pela colonização, independência e proclamação da República. No entanto, apesar dos avanços e retrocessos ao longo dos séculos, a velha política continua a mesma, sempre favorecendo a elite burguesa.

Quem conhece a história do Brasil sabe que, em determinados momentos, houve esforços para reduzir a desigualdade social, mas nenhum governo ficou livre de escândalos de corrupção. Afinal, na política, sempre haverá o jogo de interesses, e as elites resistem a políticas que favorecem os mais pobres. Sempre que surge um líder com ideias voltadas à população mais carente, ele é tratado como ameaça.

Getúlio Vargas, João Goulart e a Perseguição a Líderes Populares

Exemplo disso foi Getúlio Vargas, que, apesar de seu autoritarismo, implementou políticas trabalhistas e sociais que beneficiaram a classe operária, incomodando a elite e seus opositores. Diante das pressões, acabou se suicidando em 1954.

Outro caso foi João Goulart, que assumiu a Presidência em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. Suas ideias progressistas o tornaram alvo da elite conservadora, e ele foi deposto pelo Golpe Militar de 1964.

O argumento dos militares era o suposto avanço do comunismo, incentivado pela Guerra Fria e pelo regime cubano. No entanto, a ameaça comunista nunca foi real no Brasil. A deposição de Goulart foi motivada pelo medo da elite de perder seus privilégios. O Exército, influenciado pelos Estados Unidos, interrompeu seu governo sob o pretexto de “salvar o Brasil”, quando, na verdade, instaurou uma ditadura violenta que durou 21 anos.

O Golpe de 2016 e a ascensão da Extrema-Direita

17/04/2016 – Brasília- DF, Brasil – Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República (Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados)
17/04/2016 – Brasília- DF, Brasil – Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República (Foto: Antonio Augusto/ Câmara dos Deputados)

No dia 17 de abril de 2016, outro golpe foi imposto ao Brasil. Dilma Rousseff (PT) teve seu governo interrompido, desta vez com o apoio do Judiciário, do Congresso e da mídia.

Tudo começou em 2014, quando Aécio Neves (PSDB), inconformado com a derrota nas eleições, iniciou uma cruzada para desestabilizar o governo. Primeiro, pediu a recontagem dos votos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Dilma. Não satisfeito, articulou com aliados políticos e setores do mercado financeiro para gerar uma crise política que alimentou o discurso anticorrupção.

Dessa instabilidade surgiram movimentos neofascistas como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua, que se aproveitaram da insatisfação popular e da operação Lava Jato para desgastar a imagem do PT.

Em 12 de dezembro de 2015, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), aceitou o pedido de impeachment por motivos pessoais. O processo foi conduzido de forma tendenciosa, culminando na queda de Dilma em 31 de agosto de 2016, quando Michel Temer (MDB) assumiu o cargo.

A Lava Jato e a perseguição política

O golpe de 2016 abriu caminho para a destruição de políticas sociais e a ascensão da extrema-direita. O impeachment foi apenas a primeira fase do plano. Para garantir que a esquerda não voltasse ao poder, a Lava Jato intensificou sua perseguição ao PT e a Lula.

Reportagens do The Intercept Brasil revelaram que a operação não seguia o devido processo legal e era conduzida de forma parcial, com vazamentos seletivos e delações forçadas. A mídia, por sua vez, agiu como uma extensão do Judiciário, condenando Lula antes mesmo de qualquer julgamento. O objetivo era claro: impedir a candidatura do petista e pavimentar o caminho para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Com Lula fora da disputa, Bolsonaro venceu as eleições, impulsionado por fake news e pelo apoio da elite financeira, ruralista e religiosa. O então juiz Sergio Moro, responsável pela condenação de Lula, foi recompensado com o cargo de ministro da Justiça, escancarando o conluio político por trás da Lava Jato.

Bolsonaro: O erro que se tornou um caos

Desde que assumiu a Presidência, Bolsonaro demonstrou incapacidade administrativa, autoritarismo e desrespeito às instituições democráticas. Sua agenda econômica ultraneoliberal aprofundou a desigualdade social, enquanto seu discurso conservador fortaleceu ataques à imprensa, à cultura e aos direitos humanos.

Em abril de 2020, Sergio Moro rompeu com Bolsonaro, acusando-o de tentar interferir na Polícia Federal para proteger aliados e familiares. O escândalo revelou a fragilidade do governo e gerou uma crise interna, levando ao enfraquecimento do presidente.

Com 26 pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados, Bolsonaro se vê cada vez mais isolado. As denúncias de corrupção contra seus filhos, a má gestão da pandemia da Covid-19 e a crise política crescente tornaram seu governo um verdadeiro caos.

O MBL e o Vem Pra Rua agora querem se redimir?

Os mesmos movimentos que ajudaram a eleger Bolsonaro agora tentam se distanciar dele. O MBL, que ganhou notoriedade com o discurso anticorrupção, hoje defende seu impeachment. O motivo? Seus integrantes, como Kim Kataguiri e Fernando Holiday, já garantiram seus mandatos e agora querem sobreviver politicamente.

O mesmo vale para Aécio Neves, que apostou no golpe contra Dilma, mas não esperava que Bolsonaro se tornasse o principal beneficiado. O projeto original era outro, mas o caos se instaurou, e agora todos querem se salvar.

O Brasil afundado no caos

Hoje, o Brasil enfrenta não apenas uma crise sanitária sem precedentes, mas também um governo que fomenta ódio, violência e ataques às instituições democráticas. Bolsonaro não tem capacidade para governar e age como se o país fosse um projeto pessoal e familiar.

O golpe de 2016 não reduziu o dólar, não eliminou a corrupção e não gerou empregos. Pelo contrário: aprofundou a crise e entregou o país a um governo incompetente e destrutivo.

Enquanto isso, a velha política continua: jogo de interesses, corrupção, interferências e abusos de poder.

O Brasil segue em luto, em crise e refém de um erro que pode custar décadas de retrocesso.

Adamy Gianinni

Bacharel em Jornalismo 🎓❤️.
• Especialista em Gestão de Mídias Digitais
• Especialista em Liderança e Gestão Pública
• Cursando Sup. Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
• Escritor iniciante e profissional de TI. O conhecimento é tudo! 🦉

Sair da versão mobile